segunda-feira, 30 de julho de 2012
En EE.UU., llevar preservativos puede ser prueba de prostitución
En EE.UU., llevar preservativos "puede ser prueba" de prostitución
http://www.lanacion.com.ar/1494635-en-eeuu-llevar-preservativos-puede-ser-prueba-de-prostitucion
terça-feira, 24 de julho de 2012
Mapa do sexo por tabela liga 288 adolescentes nos EUA
WASHINGTON (Reuters) - O primeiro "mapa" do comportamento sexual adolescente nos Estados Unidos reforça a velha idéia de que não fazemos sexo com uma só pessoa, mas sim, indiretamente, com todos os parceiros anteriores daquela pessoa, disseram pesquisadores na segunda-feira.
Eles montaram uma cadeia de 288 relações sexuais individuais em um colégio do Meio-Oeste dos EUA, o que significa que um adolescente no final da cadeia, mesmo tendo tido contato sexual com apenas uma pessoa, relacionou-se indiretamente com 286 outras.
Os sociólogos que conduziram o estudo se disseram surpresos com as conclusões da pesquisa, que revelam, a despeito da crença geral, que a maioria dos adolescentes estudados não adota um comportamento promíscuo.
"Da perspectiva de um estudante, uma cadeia grande como essa me deixaria pirado", disse o sociólogo James Moody, que comandou o estudo. "Eles poderiam saber que seu parceiro teve um parceiro anterior. Mas não pensam no fato de que esse parceiro teve um parceiro anterior, que teve um outro parceiro, e assim por diante".
Isso implica uma abordagem diferente na questão da educação contra doenças sexualmente transmissíveis, segundo a equipe da Universidade de Ohio.
Moody e seus colegas estudaram uma única escola, numa cidade não-identificada de porte médio. Os estudantes responderam a questionários anônimos sobre seu comportamento sexual.
Os pesquisadores concluíram que, a exemplo do que se verifica nessa faixa etária como um todo nos EUA, um pouco mais de metade dos estudantes já havia tido uma relação sexual.
Em um dos casos, 288 alunos estavam relacionados em uma cadeia de contatos sexuais que raramente voltava ao mesmo ponto. Em outras palavras, um menino fez sexo com uma menina, que fez sexo com outro menino, que se relacionou com outra menina, e assim por diante.
Segundo Moody, os jovens agem dessa forma de propósito. "Todas as evidências dessa rede sugerem que os garotos estavam muito cientes do padrão local e do histórico local de atividade sexual. As adolescentes sabiam que não iriam sair com o parceiro da namorada do ex-namorado. Isso é próximo demais".
Para ele, esse tipo de comportamento é comparável ao tabu do incesto. "Ele força as pessoas a encontrarem novos parceiros em vez de os reciclar".
De acordo com Moody, trata-se de um comportamento sexual muito diferente do observado em adultos. "Nos adultos, você terá os que são astros da NBA basquete, com milhares e milhares de parceiros".
No caso dos adultos, as campanhas contra as doenças sexualmente transmissíveis são dirigidas às pessoas muito ativas. Entre estudantes, aparentemente, todos eles devem ser informados.
"Os estudantes nessa rede não são atípicos. São apenas estudantes médios, e não sexualmente ativos ao extremo. Portanto, as políticas sociais que podem ajudá-los a se proteger das doenças sexualmente transmissíveis podem romper várias dessas cadeias que podem levar à difusão da doença", disse Moody.
"Qualquer coisa que limite isso e restrinja o fluxo de fluidos corporais entre as pessoas seria útil", acrescentou o pesquisador. Isso inclui orientação sobre o uso de preservativos, abstinência e outras abordagens, segundo ele.
Moody ressaltou que os resultados podem ser aplicáveis a outras cidades norte-americanas de porte médio, mas que provavelmente seriam diferentes em estudos realizados em colégios de grandes centros urbanos.
Reuters - 21:54 24/01/05
Prisão perpétua a jovens que jogaram prostitutas para crocodilos
A Corte Suprema do Território do Norte, em Darwin, condenou hoje, terça-feira, à prisão perpétua dois jovens australianos que jogaram há um ano duas prostitutas tailandesas em um rio infestado de crocodilos.
Ben William McLean e Phu Ngoc Trinh, ambos de 19 anos, amarraram as duas mulheres com cordas e cabos e as jogaram no rio Adelaide, ao sudoeste de Darwin, em março do ano passado, onde as duas morreram.
O juiz Dean Mildren ditou uma sentença de prisão perpétua com um período de 25 anos durante o qual os autores do macabro assassinato não poderão pedir a liberdade condicional.
Trinh foi condenado por ser o autor e mentor do assassinato, já que foi comprar as cordas e os cabos, levou as duas mulheres, Phuangsri Kroksamrang, de 58 anos e Somjai Insamnan, de 27, até a fazenda de seus pais para manter relações sexuais com elas, e depois as estrangulou sem conseguir matá-las.
McLean é considerado co-autor, já que não ficou provado que sabia dos planos de seu companheiro e segundo o juiz tem mais possibilidades que Trinh de reabilitar-se.
O juiz Mildren opinou no entanto que "não há dúvida alguma que foram assassinatos terríveis", razão que justifica que ambos tenham recebido a máxima sentença.
Tanto Trinh como McLean se declararam inocentes de todas as acusações e seus advogados devem apelar da sentença.
Agência EFE , 02:15 17/05
Ben William McLean e Phu Ngoc Trinh, ambos de 19 anos, amarraram as duas mulheres com cordas e cabos e as jogaram no rio Adelaide, ao sudoeste de Darwin, em março do ano passado, onde as duas morreram.
O juiz Dean Mildren ditou uma sentença de prisão perpétua com um período de 25 anos durante o qual os autores do macabro assassinato não poderão pedir a liberdade condicional.
Trinh foi condenado por ser o autor e mentor do assassinato, já que foi comprar as cordas e os cabos, levou as duas mulheres, Phuangsri Kroksamrang, de 58 anos e Somjai Insamnan, de 27, até a fazenda de seus pais para manter relações sexuais com elas, e depois as estrangulou sem conseguir matá-las.
McLean é considerado co-autor, já que não ficou provado que sabia dos planos de seu companheiro e segundo o juiz tem mais possibilidades que Trinh de reabilitar-se.
O juiz Mildren opinou no entanto que "não há dúvida alguma que foram assassinatos terríveis", razão que justifica que ambos tenham recebido a máxima sentença.
Tanto Trinh como McLean se declararam inocentes de todas as acusações e seus advogados devem apelar da sentença.
Agência EFE , 02:15 17/05
Entidades apresentam estudo sobre exploração sexual
A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, a organização Save the Children Suécia e o Violes - Grupo de Pesquisa sobre Violência e Exploração Sexual, da Universidade de Brasília, apresentarão o "Estudo Analítico do Enfrentamento da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes no Brasil (1996 a 2004)". A cerimônia será amanhã às 9h, no salão nobre do Congresso.
O estudo mapeou o enfrentamento da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, entre 1996 a 2004, nos diferentes setores da política publica brasileira. A pesquisa observou que os empresários turísticos vêm se mobilizando e participando de ações junto ao Ministério do Turismo para a implantação de Códigos de Conduta contra a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, tendo inclusive elaborado um Plano de Ação/95.
"Todas as iniciativas que traçam algum tipo de diagnóstico da exploração sexual merecem uma atenção especial, já que há ausência de dados oficiais sobre este tema. Nosso desafio agora é lutar para que todas as esferas de poder trabalhem para o enfrentamento de fato deste crime hediondo", afirmou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), que coordena a Frente Parlamentar e foi relatora da CPI Mista que investigou a exploração sexual de crianças e adolescentes em 2003 e 2004.
A pesquisa concluiu que é urgente fortalecer a mobilização política e intelectual rumo a um projeto societário que articule, com as esferas das liberdades econômicas, de expressão e da sexualidade, no contexto da luta pelos direitos humanos, privilegiando a participação de jovens, mulheres e homens, como uma das tarefas mais importantes a serem trabalhadas pela humanidade nos próximos séculos.
Boletim do PT , Terça, 17/mai/05 - Ano XV - nº 3249
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Prostitutas recebem orientação de Porto Alegre
Distribuir preservativos e falar em prevenção é apenas um dos objetivos. Quando a equipe da Organização Não-Governamental (ONG) Vale a Vida sai em direção a praças, esquinas, hotéis, uisquerias, boates e casas de massagem, a proposta é bem mais ousada. Em cada abordagem, a idéia é encurtar distâncias e se aproximar da realidade dos profissionais do sexo. A secretária executiva do Núcleo de Estudos da Prostituição (NEP), Carmem Lúcia Paz, veio de Porto Alegre para reforçar o trabalho, que na capital já deu resultados.
Em 1989, quando fundado, o NEP tinha uma prioridade: liquidar com a violência que todas as noites aterrorizava as mulheres prostitutas. Parece até deboche. Mas as que eram assaltadas saíam no lucro - e não no prejuízo. Espancamento, estupro e até choques na vagina chegaram a ser registrados. Alguns casos com o envolvimento de policiais. "Criamos coragem, denunciamos e conseguimos que um deles inclusive fosse retirado da corporação da Brigada Militar", conta Lúcia, prostituta há 23 anos e socióloga há quatro.
Era o início de uma atuação que ganha credibilidade e prêmios, como o dos Direitos Humanos no Rio Grande do Sul, concedido em 1999 pela Unesco. Se existe um segredo para o sucesso da ONG, enfatiza a secretária executiva, foi ter atacado a raiz do problema. Longe dos crimes cruéis de que eram vítimas, as mulheres ficaram abertas a receber outras mensagens que o NEP também se propõe a lançar. "Criamos o vínculo, que era o mais importante para poder falar de temas como preconceito, estigma e prevenção", explica.
Hoje as cerca de cinco mil profissionais que fazem programas em Porto Alegre têm um referencial de aconselhamento jurídico e psicológico e são estimuladas a romper barreiras. É preciso que vivam o mundo da sua cidade. Não é possível que o olhar de julgamento da população restrinja a vida das prostitutas ao círculo casa-batalha. São cidadãs, têm família e merecem respeito.
EM PELOTAS
Aos 57 anos, Marina (como pediu para ser identificada) é um dos principais canais de comunicação entre o Vale a Vida e os profissionais do sexo. Desde 2001 a ONG - antes dirigida apenas a portadores do vírus HIV e Aids - decidiu realizar trabalho de prevenção com prostitutas e travestis e passou a ir a campo para estreitar relações. Já são cerca de 300 pessoas e 20 locais cadastrados.
Na praça Coronel Pedro Osório, Marina contribui no leva-e-traz de informações e na distribuição de preservativos às colegas. A torcida é que com o tempo mais Marinas engrossem o processo de conscientização, que não quer parar no uso de camisinha. "É um absurdo que elas batalhem pra gigolô, que tira tudo delas e, às vezes, ainda bate", irrita-se a líder. Casos em que prostitutas foram agredidas com chicotadas já chegaram ao Vale a Vida, que aproveita oportunidades como a da semana passada para seguir os passos do NEP. "É preciso que esses profissionais saibam que não estão respondendo a mais um questionário, que nunca trará resultados", lembra a psicóloga da ONG, Sônia Cabral.
Marina está convicta. "Me sinto outra pessoa desde que entrei para o Vale a Vida", resume a prostituta há 18 anos. Quer dar seguimento aos estudos, fará as provas do supletivo da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e reúne forças para criar o neto nascido há menos de um mês; a nora faleceu no parto. "Enquanto estiver viva, vou lutar pelos meus oito filhos e 15 netos", reforça. "Não tenho vergonha de nada."
Michele Ferreira (Diário Popular, 10/05/2005)
Em 1989, quando fundado, o NEP tinha uma prioridade: liquidar com a violência que todas as noites aterrorizava as mulheres prostitutas. Parece até deboche. Mas as que eram assaltadas saíam no lucro - e não no prejuízo. Espancamento, estupro e até choques na vagina chegaram a ser registrados. Alguns casos com o envolvimento de policiais. "Criamos coragem, denunciamos e conseguimos que um deles inclusive fosse retirado da corporação da Brigada Militar", conta Lúcia, prostituta há 23 anos e socióloga há quatro.
Era o início de uma atuação que ganha credibilidade e prêmios, como o dos Direitos Humanos no Rio Grande do Sul, concedido em 1999 pela Unesco. Se existe um segredo para o sucesso da ONG, enfatiza a secretária executiva, foi ter atacado a raiz do problema. Longe dos crimes cruéis de que eram vítimas, as mulheres ficaram abertas a receber outras mensagens que o NEP também se propõe a lançar. "Criamos o vínculo, que era o mais importante para poder falar de temas como preconceito, estigma e prevenção", explica.
Hoje as cerca de cinco mil profissionais que fazem programas em Porto Alegre têm um referencial de aconselhamento jurídico e psicológico e são estimuladas a romper barreiras. É preciso que vivam o mundo da sua cidade. Não é possível que o olhar de julgamento da população restrinja a vida das prostitutas ao círculo casa-batalha. São cidadãs, têm família e merecem respeito.
EM PELOTAS
Aos 57 anos, Marina (como pediu para ser identificada) é um dos principais canais de comunicação entre o Vale a Vida e os profissionais do sexo. Desde 2001 a ONG - antes dirigida apenas a portadores do vírus HIV e Aids - decidiu realizar trabalho de prevenção com prostitutas e travestis e passou a ir a campo para estreitar relações. Já são cerca de 300 pessoas e 20 locais cadastrados.
Na praça Coronel Pedro Osório, Marina contribui no leva-e-traz de informações e na distribuição de preservativos às colegas. A torcida é que com o tempo mais Marinas engrossem o processo de conscientização, que não quer parar no uso de camisinha. "É um absurdo que elas batalhem pra gigolô, que tira tudo delas e, às vezes, ainda bate", irrita-se a líder. Casos em que prostitutas foram agredidas com chicotadas já chegaram ao Vale a Vida, que aproveita oportunidades como a da semana passada para seguir os passos do NEP. "É preciso que esses profissionais saibam que não estão respondendo a mais um questionário, que nunca trará resultados", lembra a psicóloga da ONG, Sônia Cabral.
Marina está convicta. "Me sinto outra pessoa desde que entrei para o Vale a Vida", resume a prostituta há 18 anos. Quer dar seguimento aos estudos, fará as provas do supletivo da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e reúne forças para criar o neto nascido há menos de um mês; a nora faleceu no parto. "Enquanto estiver viva, vou lutar pelos meus oito filhos e 15 netos", reforça. "Não tenho vergonha de nada."
Michele Ferreira (Diário Popular, 10/05/2005)
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OIT: 2 milhões de crianças são vítimas no mundo
OIT: 2 milhões de crianças são vítimas no mundo
Brasília - O dia 18 de maio não é uma data para ser comemorada, mas um marco na luta contra um problema que ainda é crônico no Brasil: a exploração sexual de crianças e adolescentes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes são explorados sexualmente no mundo.
Em 2001 foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. A data foi escolhida para que não seja esquecida a história de Araceli Cabrera Sanches, que aos 8 anos, foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma família tradicional de Vitória (ES). O caso ocorreu em 1974 e os acusados ficaram impunes.
Um estudo realizado em parceria pelo Grupo Violes, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, com a Save the Children Suécia buscou mapear as ações contra a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes de 1996 a 2004, nos diferentes setores da política pública brasileira e perceber as contradições existentes nas reflexões sobre a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes.
De acordo com o estudo, a exploração sexual infanto-juvenil não é uma temática fácil de ser abordada e ocorre em sociedades permissivas e tolerantes com a mercantilização da erotização. "É considerada uma das piores formas de trabalho infantil; é, sem dúvida, uma violação dos direitos de proteção e desenvolvimento do grupo infanto-juvenil; é expressão de um capitalismo selvagem, feita no mercado clandestino, articulado com as rotas do crime organizado", revela o estudo.
A pesquisa constata que para enfrentar o problema é preciso fortalecer as ações da sociedade civil e dos setores governamentais no sentido de promover a rearticulação local e global, buscando aliados, especialmente nas regiões onde há alvos desta violência e na sociedade organizada.
O estudo também mostra a necessidade de fortalecer a relação Estado-sociedade e a cooperação internacional, para traçar ações conjuntas. A recomendação é que os governos precisam agendar ações em níveis federal, estadual e municipal.
A pesquisa mostra que, dos 29 ministérios, 13 apresentam programas que podem ser articulados para viabilizar o desenvolvimento e o crescimento econômico: Cultura, Transporte, Integração Nacional, Habitação, Turismo, Trabalho, Minas e Energia. Além dos ministérios, o estudo cita bancos nacionais, Correios, Petrobras e Itaipu, dentre outros.
Luciana Vasconcelos - Fonte: Agência Brasil, 18/05/2005
Brasília - O dia 18 de maio não é uma data para ser comemorada, mas um marco na luta contra um problema que ainda é crônico no Brasil: a exploração sexual de crianças e adolescentes. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes são explorados sexualmente no mundo.
Em 2001 foi instituído o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil. A data foi escolhida para que não seja esquecida a história de Araceli Cabrera Sanches, que aos 8 anos, foi seqüestrada, drogada, espancada, estuprada e morta por membros de uma família tradicional de Vitória (ES). O caso ocorreu em 1974 e os acusados ficaram impunes.
Um estudo realizado em parceria pelo Grupo Violes, do Departamento de Serviço Social da Universidade de Brasília, com a Save the Children Suécia buscou mapear as ações contra a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes de 1996 a 2004, nos diferentes setores da política pública brasileira e perceber as contradições existentes nas reflexões sobre a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes.
De acordo com o estudo, a exploração sexual infanto-juvenil não é uma temática fácil de ser abordada e ocorre em sociedades permissivas e tolerantes com a mercantilização da erotização. "É considerada uma das piores formas de trabalho infantil; é, sem dúvida, uma violação dos direitos de proteção e desenvolvimento do grupo infanto-juvenil; é expressão de um capitalismo selvagem, feita no mercado clandestino, articulado com as rotas do crime organizado", revela o estudo.
A pesquisa constata que para enfrentar o problema é preciso fortalecer as ações da sociedade civil e dos setores governamentais no sentido de promover a rearticulação local e global, buscando aliados, especialmente nas regiões onde há alvos desta violência e na sociedade organizada.
O estudo também mostra a necessidade de fortalecer a relação Estado-sociedade e a cooperação internacional, para traçar ações conjuntas. A recomendação é que os governos precisam agendar ações em níveis federal, estadual e municipal.
A pesquisa mostra que, dos 29 ministérios, 13 apresentam programas que podem ser articulados para viabilizar o desenvolvimento e o crescimento econômico: Cultura, Transporte, Integração Nacional, Habitação, Turismo, Trabalho, Minas e Energia. Além dos ministérios, o estudo cita bancos nacionais, Correios, Petrobras e Itaipu, dentre outros.
Luciana Vasconcelos - Fonte: Agência Brasil, 18/05/2005
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O pornô e o drama real de Linda Lovelace
O pornô e o drama real de Linda Lovelace
Nunca houve mulher como Linda Lovelace. Que fizesse tanto pela pornografia e que a combatesse tanto. Ela morreu aos 53 anos, vítima de ferimentos causados por um acidente de carro ocorrido no dia 3 de abril de 2002, em Denver.
A fama de Linda Lovelace nasceu e praticamente sumiu com um filme que fez em 1972, 'Garganta Profunda' (Deep Throat). Foi um dos primeiros filmes pornográficos de longa-metragem, tinha 62 minutos e custou US$ 30 mil. Linda sempre disse que não viu um tostão desse dinheiro, muito menos dos US$ 600 milhões que rendeu, segundo ela revelou no livro autobiográfico 'Out of Bondage', para uma família mafiosa. 'Deep Throat' e Linda Lovelace se tornaram uma espécie de sinônimo de pornografia e renderam dezenas de livros e pelo menos 18 músicas. Na época do caso Watergate, os repórteres do jornal 'Washington Post', Bob Woodward e Carl Bernstein, chamaram sua fonte secreta de Deep Throat.
No filme, Linda, aos 23 anos, surge bem bonita, mas com um corpo magro e um tanto anguloso, a anos-luz das medidas portentosas das modelos de 'Playboy', com seus seios enormes, preferência nacional dos homens americanos. Mas o seu talento, descrito pelo crítico Vincent Canby do 'New York Times' como mais relacionado com a engenharia física do que com os prazeres multifacetados do sexo, era o de ter, como era explicado na tela, o clitóris na garganta, fazendo com que ela só tivesse orgasmos fazendo sexo oral.
Ela insistiu depois que só fez o filme porque seu marido na época, Chuck Traymor, ameaçou-a. Na sua autobiografia de 1980, escreveu: "Soube como era sentir uma arma nas minhas costas e ouvi o clique do gatilho, nunca sabendo se viria uma bala de verdade".
Verdade é uma palavra absolutamente ambígua na história de Linda Lovelace, aliás Linda Boreman, nascida a 10 de janeiro de 1949, no Bronx, em Nova York. Não faltam boatos e lendas sobre ela, ainda mais amparados em cinco autobiografias, que se contradizem. 'O Diário Íntimo de Linda Lovelace' e 'Inside Linda Lovelace', em que ela fazia afirmações como "eu vivo para o sexo", foram denunciadas por ela, mais tarde, como sendo invenções fabricadas por ghost writers.
O que é geralmente aceito é que, nascida Linda Boreman, era filha de um policial nova-iorquino e de uma vendedora de tupperware. Teve uma infância difícil e infeliz. Depois de sair da escola, teria trabalhado numa loja de roupas e como fotógrafa. Em 1970, conheceu Charles 'Chuck' Traynor, um pornógrafo que fazia 'loops', como eram chamados os filmes pornô curtos em 8 mm, que eram vendidos e exibidos ilegalmente. Linda apareceu em pelo menos oito deles, o mais famoso sendo um em que ela transava com um cachorro.
Eventualmente, ela e Traynor se casaram.
Aí, fizeram 'Garganta Profunda'. O filme chegou a ter um status de cult, foi elogiado por alguns críticos, seu humor foi destacado e o cinema World, perto da Times Square, que o exibia, por algum tempo foi um lugar da moda da sociedade nova-iorquina.
Linda Lovelace apareceu em mais três filmes, o primeiro deles o inevitável 'Garganta Profunda Parte 2', de 1974. 'Linda Lovelace Encontra Miss Jones', de 1975, colocava frente a frente, às vezes uma sobre a outra, a estrela pornô e uma sua rival na época, Georgina Spelvin, que fizera 'O Diabo em Miss Jones', em que a citada e entusiasmada personagem ficava literalmente com o diabo no corpo. O terceiro filme, um fracasso que enterrou de vez as esperanças de Linda fazer uma carreira cinematográfica, é de 1975, 'Linda Lovelace for President', que tinha pecados capitais para um filme pornô: era uma comédia e limitava-se à classificação softcore, não tinha nada explícito.
Mas a aceitação de 'Garganta Profunda' não foi unânime. O filme, por exemplo, só conseguiu certificado de exibição na Inglaterra em 2000. Em vários Estados americanos o filme foi proibido por obscenidade. Um juiz de Nova York, Joe Tyler, em 1.º de março de 1973, chegou a dizer que o filme era um abismo de decadência e que "essa garganta deve ser cortada". Em 1991, entrevistado pela revista 'People', o juiz Tyler, então com 71 anos, disse:
"Se eu fosse dar essa sentença hoje, seria chamado de louco. Filmes e TV mudaram completamente sua perspectiva com relação à forma humana". Mas, então, condenou o cinema World a pagar US$ 3 milhões de multa.
Como nunca houve apelação para mudar a sentença, até hoje é proibido exibir 'Garganta Profunda' em cinemas de Nova York, embora possa ser alugado em qualquer locadora de vídeo.
Depois de se divorciar de Traynor (que se casou com outra superstar pornô, a loira Marilyn Chambers), Linda Lovelace começou a denunciar que foi forçada a fazer os filmes pelo ex. Ao mesmo tempo, passou a morar em hotéis, a aparecer em Las Vegas e Londres, vestida de forma extravagante, tentando provocar escândalo. Conseguiu fazer um certo barulho, mas ficou nisso.
Depois, ela se casou com um pedreiro, Larry Marchiano, em 1976.
Nos anos 80, Linda passou a testemunhar contra os perigos da pornografia diante do Congresso, tribunais e conselhos municipais. Tornou-se também um símbolo de escritoras feministas como Gloria Steinem, como uma mulher explorada pelo sexismo masculino. Mas ser um símbolo não pagava contas e o casal muitas vezes teve de recorrer ao seguro social. Ela escreveu nova autobiografia, 'Ordeal' e, num golpe de publicidade, só a publicou depois de passar por um detetor de mentiras. Mas ninguém estava muito interessado.
Em 1987, ela fez um transplante de fígado numa operação de 15 horas; Linda descobriu o câncer quando foi fazer uma mastectomia - então adiada - por causa das injeções de silicone que Traynor a fizera tomar nos seios. As contas de hospital liquidaram com as finanças do casal e eles se divorciaram em 1996. Mudaram-se, antes, para Denver. Ela ganhava algum dinheiro com palestras antipornografia, emendando isso com empregos temporários como vendedora. Ela sempre tinha de sair deles por causa de dores nas pernas causadas por varizes.
Há quatro anos, trabalhava como vendedora numa empresa de informática, ganhando pouco menos de US$ 10 por hora. Na última entrevista de TV que deu, ela mal conseguiu falar e, em 2001, um estudioso da cultura pop, Eric Danville, levou-a para ver 'Garganta Profunda'. Foi a primeira vez que ela viu o filme do começo ao fim. 'Não sei o que vêem nisso', foi o único comentário de Linda.
Hoje, a pornografia fora da Internet se tornou obsoleta e nada rentável para seus produtores, incluindo até recentes êxitos como a revista 'Hustler', que investe pesadamente agora em vários sites especializados na Web. Revistas que exploravam o sexo, mas de modo menos explícito, como 'Playboy' e 'Penthouse', acumularam quedas de vendagem e publicidade. Diriam os mais fanáticos adversários da pornografia, que a morte de Linda foi um sinal.
Fonte: O pornô e o drama real de Linda Lovelace ,Geraldo Galvão Ferraz, Jornal da Tarde,São Paulo,28 de abril de 2002
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